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A aprendizagem é o processo através do qual uma pessoa adquire ou modifica conhecimentos, competências, comportamentos e formas de pensar com base na experiência, no estudo, na observação ou na prática.
Segundo a Psicologia e as Ciências da Educação, a aprendizagem pode assumir diferentes formas, incluindo aprendizagem cognitiva, social, experiencial e associativa. Além disso, cada indivíduo pode demonstrar preferências distintas na forma como processa informação, frequentemente designadas por estilos de aprendizagem.
Compreender como funciona a aprendizagem ajuda a melhorar estratégias de estudo, desempenho académico, desenvolvimento profissional e aprendizagem ao longo da vida.
Neste artigo, descobrirás a definição de “aprendizagem” e as suas características fundamentais, os principais tipos identificados pela Psicologia e pelas Ciências da Educação, os três modelos clássicos de estilos de aprendizagem, os tipos de motivação que influenciam o processo de aprendizagem e as dificuldades associadas mais comuns. No final, ficarás ainda a saber de que forma é que a Universidade Europeia concebe o seu modelo académico em torno destes mesmos princípios.
A aprendizagem é uma mudança relativamente duradoura no comportamento ou na estrutura cognitiva de um indivíduo, resultante da experiência e não de processos biológicos como a maturação ou o envelhecimento.
A aprendizagem contempla três domínios distintos, identificados pelo psicólogo e pedagogo americano Benjamin Bloom (1913-99) na sua célebre taxonomia:
Em conjunto, estes três domínios explicam porque é que a aprendizagem não se resume a “saber mais coisas”, procurando também mudar a forma de pensar, sentir e agir no mundo.
Para que possa falar-se verdadeiramente de aprendizagem, há que referir múltiplas características fundamentais:
A Psicologia e as Ciências da Educação identificaram vários tipos de aprendizagem, organizados em torno de diferentes correntes teóricas. Os principais tipos de aprendizagem identificados incluem:
Conhecê-los ajuda-te a compreender porque é que determinadas estratégias de estudo funcionam melhor do que outras, bem como a perceber por que razão os métodos de ensino mais eficazes tendem a combinar diferentes abordagens. De seguida, fica a conhecer melhor como cada uma delas funciona:
A associação repetida entre dois estímulos gera uma resposta aprendida e involuntária. Ivan Pavlov (1849-1936), neurologista russo-soviético, demonstrou este mecanismo nos seus famosos estudos com cães, que passaram a salivar ao som de uma campainha, mesmo sem a presença de comida.
Embora aparentemente simples, este mecanismo está na base de muitas respostas emocionais face ao ambiente escolar, tanto positivas como negativas.
O comportamento é reforçado ou inibido pelas suas consequências. Os reforços positivo (recompensa) e negativo (remoção de algo desagradável) aumentam a probabilidade de um comportamento se repetir, enquanto a punição tende a reduzi-la, de acordo com os resultados da investigação empreendida por B. F. Skinner (1904-90), psicólogo comportamental americano.
Esta é a base de estratégias pedagógicas como o feedback formativo, a gamificação e os sistemas de pontos.
Albert Bandura (1925-2021), psicólogo e professor canadiano, demonstrou que a aprendizagem ocorre através da observação dos comportamentos de outrem (os chamados “modelos”) e das respetivas consequências.
Este mecanismo, designado “aprendizagem por observação”, está presente em práticas como o “mentoring”, o “shadowing” e o ensino, sendo amplamente utilizado na formação profissional e no Ensino Superior.
A aprendizagem cognitiva centra-se nos processos internos (atenção, memória, raciocínio e metacognição) através dos quais o cérebro processa, organiza e recupera informação. Esta perspetiva sublinha que aprender não é apenas acumular dados, mas também estruturá-los e atribuir-lhes significado.
De acordo com o psicólogo americano David Ausubel (1918-2008), a nova informação é integrada de forma não arbitrária nos conhecimentos já existentes, criando relações genuínas de significado; opõe-se, desta forma, à aprendizagem mecânica.
Para que seja significativa, são necessários três elementos:
O conhecimento é construído ativamente pelo próprio indivíduo através de dois processos complementares:
Jean Piaget (1896-1980), psicólogo suíço, sublinha a dimensão individual deste processo, enquanto Vygotsky enfatiza o papel determinante do contexto sociocultural e da linguagem.
Esta perspetiva salienta a aprendizagem como transformação de experiências concretas em conhecimento através de um ciclo de ação, reflexão e conceptualização. Este é, aliás, o paradigma central do modelo académico da Universidade Europeia.
Os estudantes constroem conhecimento em conjunto, partilhando responsabilidades e perspetivas diversas e desenvolvendo competências socioemocionais, pensamento crítico e capacidade de colaboração.
O próprio aprendiz assume o controlo do processo, diagnosticando as suas necessidades, definindo objetivos, selecionando recursos e avaliando o seu progresso. Este tipo de aprendizagem é fundamental na formação de adultos (andragogia) e no ensino online.
A aprendizagem implícita não é consciente; é assim, por exemplo, que se aprende a gramática da língua materna sem estudá-la formalmente. A aprendizagem explícita, por outro lado, é intencional e requer esforço deliberado.
Esta tipologia foi consolidada pela UNESCO e adotada pela Comissão Europeia, definindo-se nas seguintes formas:
Os estilos de aprendizagem descrevem as preferências individuais sobre a forma como cada pessoa recebe, processa e retém informação. Embora não determinem a capacidade de aprender, ajudam a compreender quais os métodos de estudo que cada indivíduo tende a considerar mais confortáveis ou intuitivos.
Os modelos mais conhecidos são:
Importa referir que estes modelos descrevem preferências individuais de aprendizagem e não capacidades fixas. Assim, os estilos de aprendizagem são atualmente encarados sobretudo como instrumentos de autorreflexão e não como categorias deterministas.
Criado pelo pedagogo neozelandês Neil Fleming (1939-2022), o modelo VARK identifica quatro modalidades sensoriais de preferência na aprendizagem:
Visual (V)
Auditiva (A)
Leitura/escrita (Read/write – R)
Cinestética (Kinesthetic – K)
Existe ainda um quinto perfil (o multimodal) para quem combina duas ou mais preferências consoante o contexto e o tipo de conteúdo.
David Kolb (1939), psicólogo americano, propôs que a aprendizagem completa decorre num ciclo de quatro fases interdependentes:
Deste ciclo, emergem quatro estilos de aprendizagem, definidos pela combinação das fases que cada pessoa privilegia:
Peter Honey (1937-2025) e Alan Mumford (1933), psicólogos britânicos, adaptaram o ciclo de Kolb ao contexto da formação profissional no Reino Unido.
Em 1992, Catalina Alonso (1941), psicóloga espanhola, desenvolveu o «Cuestionario Honey-Alonso de Estilos de Aprendizaje» (CHAEA), com 80 itens distribuídos por quatro estilos, especialmente concebido para o Ensino Superior.
O instrumento foi objeto de adaptações e estudos em contextos académicos lusófonos, incluindo investigação realizada em instituições portuguesas. Contudo, a sua utilização deve ser enquadrada à luz da evidência científica atual sobre estilos de aprendizagem.
Eis os estilos de aprendizagem compreendidos neste modelo:
Estes estilos são particularmente relevantes em contextos de formação executiva no Ensino Superior. Compreendê-los faz parte do percurso formativo dos cursos de Psicologia, em que a reflexão sobre os próprios processos de aprendizagem é inseparável do desenvolvimento profissional.
O que diz a ciência sobre os estilos de aprendizagem?
Embora os modelos de estilos de aprendizagem sejam amplamente utilizados em contextos educativos e organizacionais, a evidência científica disponível não confirma que ensinar de acordo com o estilo preferido de cada estudante melhore automaticamente os resultados académicos.
Esta ideia, conhecida como «hipótese de correspondência», defende que os alunos aprendem melhor quando os métodos de ensino correspondem ao seu estilo de aprendizagem dominante. No entanto, revisões sistemáticas e meta-análises de referência, incluindo o trabalho de Hal Pashler e colaboradores, não encontraram evidências experimentais robustas que sustentem esta hipótese.
Isto não significa que os estilos de aprendizagem sejam inúteis. O seu principal contributo reside no autoconhecimento, ajudando os estudantes a refletir sobre as estratégias que consideram mais confortáveis ou motivadoras durante o processo de aprendizagem.
Do ponto de vista pedagógico, a investigação sugere que é mais eficaz diversificar as metodologias de ensino do que adaptar toda a instrução a um único estilo. Combinar explicações teóricas, atividades práticas, reflexão crítica, trabalho colaborativo e resolução de problemas permite responder melhor à diversidade de experiências, competências e necessidades presentes em qualquer grupo de aprendizagem.
Assim, os estilos de aprendizagem devem ser encarados como ferramentas de reflexão e não como categorias rígidas que determinam a forma como cada pessoa aprende.
A motivação é um dos principais elementos determinantes do sucesso académico e da qualidade da aprendizagem. A motivação para aprender pode ser:
O quadro teórico mais influente nesta área é a «Teoria da Autodeterminação (TAD)», desenvolvida por Edward Deci (1942-2026) e Richard Ryan (1953), psicólogos americanos, a partir dos anos 1980, com ampla investigação em contextos educativos portugueses e europeus.
A TAD distingue dois tipos fundamentais de motivação:
A motivação intrínseca nasce do interior do próprio indivíduo. Estudas porque o tema te desperta curiosidade genuína, porque o processo de aprender te estimula ou porque o desafio em si é recompensador.
Este tipo de motivação está consistentemente associado a maior persistência, uma aprendizagem mais profunda, pensamento criativo e bem-estar psicológico.
A motivação extrínseca deriva de fatores externos, como uma classificação, o reconhecimento social ou a tentativa de evitar uma consequência negativa.
Não é necessariamente prejudicial, já que, quando te identificas com os objetivos ou os integras nos teus valores pessoais (o que a TAD designa por “regulação identificada” ou “regulação integrada”), a motivação extrínseca pode ser tão eficaz quanto a intrínseca.
A TAD identifica ainda um terceiro estado: a “amotivação” (ou ausência de qualquer intenção de agir), associada ao baixo desempenho e ao abandono escolar.
Segundo a teoria, há três necessidades psicológicas fundamentais que alimentam e sustentam a motivação:
Os ambientes de ensino que favorecem estas três necessidades tendem a acolher estudantes mais intrinsecamente motivados, mais resilientes perante as dificuldades e com melhores resultados a longo prazo.
Esta acaba por ser uma das razões pelas quais metodologias como o «Problem-Based Learning (PBL)», a simulação ou a aprendizagem com projetos reais se têm afirmado no Ensino Superior europeu, considerando que se encontram naturalmente alinhadas com estas condições.
Ora, na Universidade Europeia, precisamente, o protagonista da sua aprendizagem é o próprio estudante.
As dificuldades de aprendizagem (DA) são perturbações neurológicas que afetam a capacidade de adquirir ou utilizar competências de leitura, escrita, raciocínio ou matemática, independentemente do nível de inteligência, do esforço ou da motivação do indivíduo.
Não são resultado de falta de empenho, mas sim de diferenças no funcionamento do sistema nervoso central, constituindo, portanto, um fenómeno significativo que merece ser compreendido com rigor.
Em Portugal, estima-se que entre 5% e 10% da população escolar apresente alguma forma de dificuldade de aprendizagem específica, representando cerca de 48% dos alunos referenciados com necessidades educativas especiais, de acordo com a obra de Luís de Miranda Correira, Professor Catedrático Emérito da Universidade do Minho, intitulada Dificuldades de Aprendizagem Específicas (2006).
A Psicologia e as Neurociências organizam as dificuldades de aprendizagem em cinco grandes grupos:
São as mais clássicas na literatura científica e educativa, afetando domínios académicos concretos (leitura, escrita, ortografia ou matemática), apesar de a inteligência global se manter preservada.
São de origem neurobiológica e tendem a persistir ao longo da vida, ainda que, com o apoio adequado, seja possível minimizar o seu impacto de forma bastante significativa.
A dislexia é uma perturbação específica da aprendizagem da leitura e do processamento fonológico. É a DA mais prevalente a nível mundial. Em Portugal, um estudo de referência de Vale, Sucena e Viana (2010) identificou uma prevalência de 5,4% nas crianças do 1.º Ciclo do Ensino Básico, com um rácio de 1,55 rapazes por cada rapariga.
A prevalência varia consoante a opacidade ortográfica da língua, sendo mais alta em Inglês (>10%) e mais baixa em línguas com ortografia mais transparente, como o Italiano ou o Finlandês, situando-se o Português Europeu num patamar intermédio.
A disortografia afeta a expressão escrita (ortografia, gramática e pontuação), enquanto a disgrafia manifesta-se no traçado da letra (caligrafia ilegível, lentidão na escrita e dificuldades de motricidade fina), frequentemente coexistindo com a dislexia.
A discalculia consiste numa dificuldade específica na aquisição de competências matemáticas, como o sentido de número, o cálculo mental e o raciocínio matemático. A sua prevalência mundial é estimada entre 3% e 7%.
Nem todas as dificuldades de aprendizagem se manifestam diretamente na leitura ou na matemática; algumas têm origem em défices nos processos neurológicos que suportam a aprendizagem em todas as áreas, nomeadamente:
Estas perturbações afetam o funcionamento global do indivíduo e têm impacto direto e transversal na aprendizagem, na socialização e na regulação emocional.
Embora não seja tecnicamente uma dificuldade de aprendizagem, a PHDA coexistindo frequentemente com dificuldades específicas de aprendizagem.
Segundo o Portal da Hiperatividade, a sua prevalência em idade pediátrica em Portugal é estimada entre 4% e 5%, persistindo na vida adulta em dois terços dos casos. A nível mundial, o DSM-5 aponta para uma prevalência de 5% em crianças e de 2,5% em adultos.
O diagnóstico e a intervenção precoces fazem uma diferença substancial no percurso de vida de quem apresenta estas dificuldades. Profissionais formados nas áreas da Psicologia e das Ciências da Saúde (como psicólogos, neuropsicólogos e terapeutas da fala, respetivamente) têm um papel determinante no processo de identificação, avaliação e apoio.
Esta é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por diferenças na comunicação social e padrões de comportamento restritos e repetitivos. O seu impacto na aprendizagem é bastante variável consoante o perfil individual.
O défice intelectual é uma limitação significativa do funcionamento intelectual e do comportamento adaptativo, com início no período de desenvolvimento.
Nem sempre as dificuldades de aprendizagem têm origem neurológica. Em muitos casos, são estados emocionais ou padrões de comportamento que bloqueiam ou comprometem o processo de aprendizagem, mesmo em estudantes com plenas capacidades cognitivas:
Estes fatores não constituem perturbações clínicas, mas influenciam de forma determinante a capacidade de aprender, já que a aprendizagem é profundamente moldada pelo contexto em que ocorre. Nesse sentido:
Em suma, a aprendizagem é um processo multidimensional, ativo e profundamente individual. Os diferentes tipos, estilos e motivações coexistem em qualquer sala de aula, sendo que um ensino de verdadeira qualidade é aquele que reconhece, respeita e tira partido dessa diversidade.
A Universidade Europeia estrutura o seu modelo académico em torno de quatro metodologias de aprendizagem ativa, diretamente alinhadas com os princípios explorados ao longo deste artigo:
Esta abordagem experiencial (que percorre as quatro fases do ciclo de Kolb, note-se) significa que o estudante não só estuda os conteúdos, como também os experimenta, testa e reflete sobre os mesmos em contextos próximos da realidade.
Em todas as áreas, o modelo da Universidade Europeia integra o desenvolvimento do autoconhecimento, da regulação emocional e da colaboração, competências essenciais para quem quer aprender melhor ao longo de toda a vida.
Os tipos de aprendizagem descrevem mecanismos psicológicos universais através dos quais as pessoas aprendem. Os estilos de aprendizagem referem-se às preferências individuais na forma de estudar ou processar informação.
Não. A investigação científica não demonstra que um estilo seja superior. A eficácia depende do contexto, dos objetivos e dos métodos utilizados.
Sim. As preferências podem evoluir com a idade, experiência, formação e contexto profissional.
Sim. A motivação afeta a atenção, a persistência, o envolvimento e a retenção de conhecimento.
Nem sempre. Muitas acompanham o indivíduo ao longo da vida, embora intervenções adequadas possam reduzir significativamente o seu impacto.